Acordar

Sera que existe um processo de afastamento de si? Algo parecido me ocorreu. Sinto falta de mim. Esqueci algumas coisas. Deixei outras. Me quero. De repente sinto que ha uma beleza neste desejo. O de me querer. O primeiro passo deste resgate se dara pelas palavras. Pela escrita. Preciso, devo, quero voltar a escrever. Quero mais musica e quero mais movimento para o meu corpo. Dançar. E quero paz na minha alma. Preciso. Porque é nela que nascem minhas intensidades. Nesta paz nasce minha inquietude. Não quero minha alma ocupada por dores. Não quero meu coração preso. Houve invasão no meu territorio. Vou desocupa-lo. E vou ocupa-lo com a parte que me cabe neste latifundio. Ja havia este chamado. Mas hoje resolvi escuta-lo. É uma manhã de inverno. Ventos da primavera se anunciam. E estou querendo muito a mudança da estação. Vontade grande. Acho que somente agora sinto visceralmente a mudança das estações, sobretudo a dureza do inverno. Quero acordar com a natureza. Quero florir, colorir. Quero renascer. Acordei com o som do radio. De repente me vi em Bodocongo. Os barulhos do amanhecer, do despertar da casa, do radio de papai. Ele diz sempre: “ passarinho que não deve nada a ninguem ja esta cantando”, algo assim, bem, quero acordar. E cantar, e não dever nada a ninguém. E seguir com fé este projeto de alegria que corre agora em minhas veias. Vitoria Maria
Escrito por Vitória Maria Barbosa às 06h13
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