Sobre os usos dos mapas...

Tatiana Parcero.Cartografía Interior (México)
Já não há endereço certo.
Somente os que sempre aprendi que são certos.
Foram ruas de oásis. Miragens. Cada espaço, uma arquitetura belo-macabra.
Bruxuleios de falsas magias. Aventura sim.
Os que são certos lá; a cada volta de delírio.
Os que são certos lá; a cada volta de alucinação.
E mesmo o deserto continua o mesmo deserto.
E agora me pergunta se preciso de mapa?
Quanta tolice. Agora que já sei ser maior que o meu delírio?...
Agora que sei que “o certo é saber que o certo é certo”?
Tenho mesmo que gargalhar, mesmo que não ache graça nisso.
Nunca entendi mapas. Sempre fui errante em meus descaminhos-rotas.
E nunca me durou mais que alguns segundos a ilusão de algo conhecer.
Somente em ilusão. Somente em segundos.
E todas as coisas que vi, estão comigo. Em cores. Em essências todas, já que as jamais possuí.
Nunca aprendi isso de existir. É que algo insiste em mim. E me sobrevive.
Pareço desconhecer o que sempre quis: era isto mesmo!
Era isto: sentir a dor sem que ela doa.
Senti-la como uma sensação a mais. Sem espanto e sem ressacas. Sem lágrimas.
Elemento comum disso que não sei e estou. Não. As cicatrizes são outras. São no meu olhar.
Isso tudo me dá forças, me vicia.
Sempre será um outro olhar.
Foi na sexta, nem era a da paixão. Era nele, porém, somente poderia vê-lo no espelho.O olho esquerdo: um derrame. Grave, disse o médico(logo percebi que sobre gravidade nada sabia).
O olho que sempre via o sangue agora via o sangue no olho.
Aquele olho era meu. O sangue também. O que fez o sangue mostrar-se também era meu. Conhecido. Sabido.
Sempre será um outro olhar.
Só o endereço certo é certo.
Mais honesto ordenar que dar conselhos: vá ao inferno com seus mapas inúteis.
(se é que algum dia você saiu de lá...)
Tenho olhos.
Vitória Maria Barbosa
Escrito por Vitória Maria Barbosa às 16h19
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