Fui à queda, fui ao chão

Era uma segunda-feira.
Já falei: não gosto deste dia.
Acordei sem querer acordar.
Quis ser a espuma do colchão.
Um banho frio foi a saída.
Ao som do Mar de Sophia.
Vesti-me de branco.
Esqueci que não quis acordar.
Acordei.
Perfume de flor de laranjeira. Adoro.
Um cigarro e um café sem açúcar.
A escada antes do quintal.
Três batentes.
No segundo, em frações de segundos, caí.
Um acontecimento uma queda.
Polegar direito e a coluna foram os pontos de apoio.
Machucados ficaram.
Mas o que fica é aquela pequena fração. Aquele lapso do equilíbrio.
O hiato entre meu corpo e o chão.
Um acontecimento.
Aquela rapidez me leva para um acordar. Um mistério uma queda.
Um acidente. Um susto. Uma surpresa.
É que algo é maior que as frações, maior que os machucados.
Sim, aprendi a importância de um polegar. E a de poder ainda levantar.
Uma queda...
Aprendi que a queda é um mistério. E sei, não sei falar disso.
Não me acudiram três cavalheiros.
Eu me dei minha mão.
Vitória Maria Barbosa
Escrito por Vitória Maria Barbosa às 09h45
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