Grande Anúncio

Procura-se alguém com febre igual. É este o grande anúncio.
Era apenas uma necessidade de quietude. Já estava dentro dela. Era como se precisasse achar cama para descansá-la. Não, já insistira. Não buscava complementaridade. Não buscava um nirvana. Ao contrário. Buscava o equilíbrio inquieto. Aquele que dá força para oscilar no desequilíbrio. Finalmente era simples. Queria apenas sentir existir na sua existência. Receber com calmaria silêncios. Ser serena. Saber ser atravessada pela vida sentindo os espantos sem espantos. Tomar posse de tudo o que foi. De tudo que é. Tomar posse. Ser.
A alma estava assim. Ardendo. Febre. Uma febre delirante. Pedindo coisas fortes. Ah, veja bem. Queria coisas inteiras, rudes na crueza. Sem vernizes. Sem redomas. Açoitem! Açoitem! Que doa, que doa, que doa, mas que seja. Sem códigos cifras ou senhas. Se houver maquiagem que seja para mostrar ainda mais. Para escancarar. Deixar evidente.
Sim, seria você capaz de encarar o corpo sem pele? Ver o sangue correr, as veias, as entranhas. Acostumar com a coisa viva. Sabe do que falo?
Sei que não. É aí que tudo desaba. Ela se sente enfraquecida e esmorece na febre que ora a adoecia e a salvava. E anseia por um sono em que simplesmente adormeça. Sem final. Simplesmente...
Importa o que eu digo??
Se a febre fosse maior...
Procura-se alguém com febre igual. É este o grande anúncio.
Queimar a pele com brasas? Furar o dedo com espinhos? Pode ser algo que também provoque sorrisos. Que gere prazer. Ressuscita-me.
Ressuscite ela. Ela pede. Da vida mesmo.
Sabe do que falo?
Do cansaço que não mais quer ser.
Importa o que eu digo?
Não me trate como morta que acredito.
Não a trate como morta.
Ela não acredita. Acredita também.
De novo? Então repito: procura-se.
Alguém.
Com a mesma febre.
Escutas?
Grito???
Responda!!!
Vitória Maria Barbosa
Escrito por Vitória Maria Barbosa às 12h50
[]
[envie esta mensagem]
|