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Debaixo D'água

Debaixo dágua tudo era mais bonito mais azul mais colorido só faltava respirar
Mas tinha que respirar
Debaixo dágua se formando como um feto sereno confortável amado completo sem chão sem teto sem contato com o ar
Mas tinha que respirar Todo dia Todo dia, todo dia Todo dia Todo dia, todo dia Todo dia Debaixo dágua por encanto sem sorriso e sem pranto sem lamento e sem saber o quanto esse momento poderia durar
Mas tinha que respirar
Debaixo dágua ficaria para sempre ficaria contente longe de toda gente para sempre no fundo do mar
Mas tinha que respirar Todo dia Todo dia, todo dia todo dia Todo dia, todo dia Todo dia
Debaixo dágua protegido salvo fora de perigo aliviado sem perdão e sem pecado sem fome sem frio sem medo sem vontade de voltar
Mas tinha que respirar
Debaixo dágua tudo era mais bonito mais azul mais colorido só faltava respirar
Mas tinha que respirar Todo dia Todo dia, todo dia Todo dia Todo dia, todo dia Todo dia
Composição: Arnaldo Antunes
Foto Por Adilson Faltz
Escrito por Vitória Maria Barbosa às 12h14
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Procelária

É vista quando há vento e grande vaga Ela faz o ninho no rolar da fúria E voa firme e certa como bala
As suas asas empresta à tempestade Quando os leões do mar rugem nas grutas Sobre os abismos passa e vai em frente
Ela não busca a rocha o cabo o cais Mas faz da insegurança a sua força E do risco de morrer seu alimento
Por isso me parece imagem justa Para quem vive e canta no mau tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen, «Procelária», 1967
IMAGEM: http://maislogs.blogspot.com/2006/06/procelria.html
Escrito por Vitória Maria Barbosa às 11h27
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