Soltando a voz escrita

Foi quando o medo tomou conta das articulações dos meus dedos.
Era a minha mão direita.
Era o meu direito.
As dobras doíam.
Foi quando percebi palavras fossilizadas na garganta.
Martelos e ferramentas que sequer conhecia ameaçavam meu olhar.
Foi quando descobri que devo escavar, descobrir, explorar, arqueologizar minha voz.
A voz calada. A voz calejada. A voz materializada e feita palavra.
A mão esquerda tomou a mão direita, encorajando-a, aliviando-a.
Foi quando percebi que a garganta também doía.
E mesmo cansada da poesia exigente de viver, começar e começar e começar e dessa ação jamais
cansar ou deixar fazer calo.
”... E no princípio fez-se o verbo.”
Vitória Maria Barbosa
Escrito por Vitória Maria Barbosa às 22h30
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