Calos da Fala
   Nossa Língua

 

A sua boca em outra boca

Que era minha

 

 

A sua língua que não era a minha

 

A minha língua que não era a sua

 

E a nossa língua que é tão nossa.

 

A sua boca em outra boca minha

 

A nossa língua me fazendo confessar

Coisas maiores que pecados

 

A sua boca na minha língua minha

 

A minha língua em outra boca sua

 

Colhendo o final do início sem fim

 

As nossas línguas em nossas bocas

 

Nossas bocas; Uma língua.

 

Uma canção

 

 

Sua.

 



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 18h56
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   Quando virei Luz

 

 

Veio com espumas de nuvens

Veio com perfumes de todas as flores

Veio com água de chuva nova

Veio com tecidos de seda

 

E foi fazendo a lavagem

 

Em cada cantinho

Em cada dobra

Em cada esconderijo

 

Com olhar azul atento arrancava sem dor

Cada grão de poeira virava poeira de luz

 

Fui ficando maior

Ampla fluida aberta

 

Veio com voz canção

Veio com mãos veludo quente

Veio com sorriso perigo que se quer

Veio com hálito de dia quando nasce

 

E foi fazendo a lavagem de minha alma ser

 

Em cada não lugar

Em cada reta

Em cada curva

Em cada túnel

 

Vitória Luz



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 23h08
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   Antropofagia do Amor

 

 

 

 

 

Escutei. Muitas vezes. Desde criança.

 

Receitas de casamento.

 

Homem se pega pela boca.

 

Talvez uma espécie de peixe. Pensava.

 

Não estava muito enganada.

(ainda bem que não como carne)

 

Mas percebi. A mensagem tinha duplo sentido.

 

Ainda bem que a/prendi. Já não era mais criança.

 

... então o engoli

 

 

Vitória Maria

 



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 23h05
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   Defesa

 

 

Invasão.

 

(Imagem de célula se defendendo. Esta que escolhi)

 

Imaginem. É uma festa a invasão. Vence o mais forte.

 

E o vencido está livre.

 

Quem vence afinal?

 

Na derrota ou na vitória sempre existe vitória.

 

 

Vitória



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 22h55
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   Morte de Vida

 

 

Sim, dizem: morremos várias vezes na vida.

 

Vida como condição de morte.

 

Eis que descubro outra forma de morrer: morrer de vida.

 

Morro de vida. Viajo em limites sem-limites e experimento a morte de vida.

 

Vi a morte de perto, alguns dizem.

 

Digo eu, vi a vida de perto.

 

Morta de vida.

 

Vitória Maria Barbosa



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 22h41
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Sanfona na carne

Navalha na alma

Artesanato maldito

E as curvas são as mesmas...



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 00h53
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   Caras e Poucas

 

Se disser que cansei

Se quiser invento outra.

 

Se disser que cansei

Se quiserem inventem outra.

ASS. Qualquer Uma.



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 00h46
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Pseudo.

É isso.

Apenas.

Lá no encontro.

Um entre que nunca está.

Ente ilusório.

Cada vez mais só.

 

Pseudo.



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 00h41
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   Com que máscara eu vou?

 

Vou de que hoje?

 

Engraçadinha.

 

Intelectual.

 

Enfadada.

 

Safada.

 

Sensual.

 

Guerreira.

 

Vítima.

 

Mãe.

 

Filha.

 

Mulher.

 

Filha da puta.

 

Desentendida.

 

Séria.

 

Desequilibrada.

 

Madura.

 

Impura.

 

Santa.

 

Demônio.

 

Vou de  que hoje?

 

   ? (vou com tudo)

 

 

Indecisa.

 



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 00h35
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   circo de “palhaços sem futuro”

 

 

 

É o dilema. Se começamos algo, pensamos na sua finalidade, continuidade.

Há meses não escrevo aqui e nem em lugar algum.

Sofro eventualmente de a-palavra. Elas me somem. Me somem.

Às vezes vivo e escrevo. Noutras vivo e inscrevo. E enfim, tudo é caos.

Gosto quando estou e sou invadida por energias boas, coloridas, saborosas.

E agora me vejo no azedume, no bolor. Deveria escrever então?

Sim porque isso não tem regras. Nem eu.

Tenho é percorrido meus abismos. Medos de mim. E de tudo que não sei de mim.

Seria necessário?

Arrisco os limites. Pago preços. Alguns tão imensos. Fragmentada. Dispersa. Machucada. Ferida. Quebrada.

Que fiasco. Ninguém suporta. Todo mundo quer show. Não importa o teatro.

Sempre tive problemas em ser humana. Raça tão linda e detestável. Vergonhosa.

Aceitar isso tudo é que é o bom. É a sabedoria. Acho.

Lindo é um baile de máscaras. Queria, porém, um baile de máscaras reais. Cada um com a sua própria, sem a outra.

Que jogo infame.

Que circo de “palhaços sem futuro”.

É a intensidade que me submerge. Estou exausta.

E agora me inspiro. Quero escrever um culto ao azedume da alma. Cheio de ira. Ironia. E rancor.

Não agüento esse calo na fala de tantos. Queria expandir a revolução que mora em mim.

 

Eu.

 

 



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 00h22
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   Se soubesses ler...

 

Se soubesses ler verias tudo tão claro

Mas se decifro, me devoras

Se me devoras, não me decifras

Tudo ali em minhas mãos

As mesmas que tocas

As mesmas que te tocam

Se soubesses ler... ah, seria tudo tão pleno

Ignorante de mim. É o que és.

E assim tudo será sempre enigma.

Não me importo.

Me tocas.

 

 

Esfinge

 



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 18h23
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   Nossa Peça

 

 

Não que seja como um quebra-cabeça

Mas... nos falta a peça

 

Antonina Artaud



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 18h05
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Ela

 

 

 

Madeira doce; Gostosa

 

Tempero de amor

 

Magia cheirosa

 

Delícia de cor; Bonita

 

E o que mais? Adoro ela

Amo canela

 

 

 

Maria Terra

 



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 03h44
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Fosforescência

 

 

 

 

Coisa miúda que vaga

 

Coisa miúda que voa

 

Pirilampa

 

Lanterninha dos notívagos

 

Luzinha dos insones

 

Enfeite da negra noite

 

Beleza luciferina

 

 

 

Maria Terra

 

 

 



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 03h20
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Foto/síntese

 

 

Imagem que me enche os olhos:

Roupas no varal.

Ao sol, na chuva, ao vento, banhadas, secas

Balançam-se

Dançam-se

Renovam-se

Cores

Água.

Tempo.

 

 

Maria Terra

 

 



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 03h03
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