circo de “palhaços sem futuro”

É o dilema. Se começamos algo, pensamos na sua finalidade, continuidade.
Há meses não escrevo aqui e nem em lugar algum.
Sofro eventualmente de a-palavra. Elas me somem. Me somem.
Às vezes vivo e escrevo. Noutras vivo e inscrevo. E enfim, tudo é caos.
Gosto quando estou e sou invadida por energias boas, coloridas, saborosas.
E agora me vejo no azedume, no bolor. Deveria escrever então?
Sim porque isso não tem regras. Nem eu.
Tenho é percorrido meus abismos. Medos de mim. E de tudo que não sei de mim.
Seria necessário?
Arrisco os limites. Pago preços. Alguns tão imensos. Fragmentada. Dispersa. Machucada. Ferida. Quebrada.
Que fiasco. Ninguém suporta. Todo mundo quer show. Não importa o teatro.
Sempre tive problemas em ser humana. Raça tão linda e detestável. Vergonhosa.
Aceitar isso tudo é que é o bom. É a sabedoria. Acho.
Lindo é um baile de máscaras. Queria, porém, um baile de máscaras reais. Cada um com a sua própria, sem a outra.
Que jogo infame.
Que circo de “palhaços sem futuro”.
É a intensidade que me submerge. Estou exausta.
E agora me inspiro. Quero escrever um culto ao azedume da alma. Cheio de ira. Ironia. E rancor.
Não agüento esse calo na fala de tantos. Queria expandir a revolução que mora em mim.
Eu.
Escrito por Vitória Maria Barbosa às 00h22
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